O “dataísmo”, pilar para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)

Iván Olvera Rodríguez
Doctorante en el Doctorado en Investigación de la Comunicación de la Universidad Anáhuac Norte. Miembro de la Sociedad Mexicana de Inteligencia Artificial y Coordinador de Vinculación del Centro de Investigación en Computación del IPN

A Quarta Revolução Industrial ou Revolução 4.0, continua seu amplo e veloz percurso para a transformação digital de múltiplas tarefas que o ser humano desenvolve em qualquer parte do mundo, buscando tornar eficientes processos, realizar a toma de decisões automatizadas, prevenir situações de risco social (enfermidades, acidentes viários, prevenção da delinquência, etc.), assim como dotar de ferramentas para melhorar a educação, a produtividade e a criatividade, entre muitas outras ações.

Esta disruptiva e violenta mudança na existência humana local, regional e mundial, está revolucionando os sistemas sociais, políticos, econômicos e de produção, ao grau de agrupá-los, classificá-los e controlá-los através do Big Data (dados massivos que crescem de maneira exponencial com a passagem do tempo). O Big Data se converte na matéria prima da Inteligência Artificial, utilizando o machine learning para identificar padrões em dados massivos e elaborar predições que darão como resultado soluções a problemas complexos.

Dataísmo,​ termo para descrever a teoria de que em um mundo hiper conectado, através da Inteligência Artificial e a Internet das Coisas, os dados sociais serão a fonte de organização e desenvolvimento das comunidades futuras.

Os tecno-futuristas, com formação na rama social analisamos, desde uma perspectiva científica e filosófica, como se comportam os dados frente às cambiantes formas de convivência social provocadas pela Revolução 4.0, a qual está gerando novas realidades, crises de identidade, segmentação de públicos e desigualdade social, afetando diretamente as relações interpessoais; levando as sociedades a situações de anarquia ante a falta de autoridade política e de uma legislação que procure a ética e o pleno respeito dos direitos humanos no desenvolvimento e uso de ferramentas, aplicações, produtos e serviços digitais.

Como parte da estratégia dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), os chamados Macrodados são considerados com um valor incalculável, sua compilação e análise ajudam a criar estratégias para atender as necessidades sociais mais urgentes, de carácter multidimensional e multisetorial, como a pobreza, a redução das desigualdades, a saúde, o bem-estar, a paz, instituições sólidas, o trabalho e o crescimento econômico, dentre os 17 ODS.

De acordo com estimativas realizadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), 90% dos dados no mundo foram criados nos últimos dois anos e se prevê um crescimento de 40% anual. O aumento da demanda de informação se potenciou devido à pandemia da COVID-19, recolhendo dados sociais através das interações cotidianas com produtos ou serviços digitais em telefones celulares, cartões de crédito, e na contínua e cada vez mais crescente interatuação nas redes sociais digitais.

A criação, compilação e autogeração de dados sociais, de forma voluntária e involuntária, é uma mostra de que o mundo presente e futuro estará regido e controlado por eles.

Aunado a isto, devemos considerar que o manejo e uso de dados para atender as necessidades sociais dos países ibero-americanos apresenta diversos desafios éticos, tecnológicos e de governança. Um dos desafios mais significativos que se presenta nos países de maior pobreza ou com problemas político–sociais relacionados a regimes que não apoiam a ciência e tecnologia, é o de encurtar a brecha e a equidade digital, onde preexiste um aceso desigual à tecnologia e à conectividade, excluindo certos grupos da participação em iniciativas requerentes de dados.

A perpetuidade das desigualdades sociais requerem planejamento, fortes investimentos econômicos e políticas públicas encaminhadas a expandir a infraestrutura de telecomunicações e de acesso à Internet em áreas remotas, o que facilitaria a compilação de dados para dar solução a problemáticas sociais focalizados, fomentar a participação ativa das comunidades, alcançar sua inclusão na economia do sector rural e a dar-lhes acesso a oportunidades educativas e laborais, entre outros serviços essenciais que podem ser solucionados graças à valiosa informação que contida nos dados compilados.

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